domingo, 1 de janeiro de 2012

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Revista 21

A pobreza aparece em terceiro numa lista, elaborada por mim que sou muito dado a fazer listas e que as faço desde os anos 80 quando ainda não era moda fazer listas, sobre os maiores flagelos da Humanidade. O primeiro, como toda a gente sabe, é não ter Internet. E não digo não ter Internet como quando um gajo vai ao Porto e tem para aí só um risquinho de Internet que mal dá para usar o chat, digo não ter mesmo nada e um gajo nem consegue “ir ao Google”. O segundo é perder a password do Facebook e nem ter vontade de fazer as coisas porque se ninguém sabe que as estamos a fazer, o melhor é nem fazer e ficar em casa a ver televisão. E, por fim, a pobreza. As pessoas, quando são pobres, ficam muito deprimidas porque não conseguem comprar aquelas coisas boas que as fazem felizes. Sejam elas prostitutas, televisões, carros, vinho, prostitutas ou sapatos. Prostitutas aparece duas vezes porque são a melhor coisa do mundo a seguir às crianças. Na Tailândia são uma e a mesma coisa, mas é preciso ter cuidado porque, às vezes, são polícias disfarçados e prontos a apanhar pessoas a fazer turismo sexual.
Há muitos anos atrás, achei ter encontrado a solução para a pobreza. As pessoas fariam fila à porta da Casa da Moeda e depois sairiam de lá funcionários que davam dinheirinho do bom a toda a gente para poderem ir comprar coisas e ser felizes. Disseram-me que não, que não se podia porque depois o dinheirinho ia perder o valor e os pobres iam começar a ir aos sítios dos ricos mas a portarem-se como pobres.
Se Deus inventou a sociedade assim, com pessoas ricas e pessoas pobres, foi por um motivo que pode não ser claro à primeira. Se todos fossem ricos, um gajo depois queria ir almoçar à Bica do Sapato e tinha de estar uns quinze minutos à espera ou até, quem sabe, não ia conseguir arranjar mesa e teria de ir a outro sítio que estaria cheio de pobres com aquele cheiro a retrete do povo, disfarçado por after-shave de supermercado, roupa barata e eczemas espalhados pelos membros superiores, em especial entre os dedos das mãos com que fazem sempre tenção de nos tocar, a beber por garrafas de plástico, litrosas ou tinto de pacote que trazem de casa ou da loja de conveniência mais próxima, e ainda saía de lá a tresandar a peixe frito. E se há coisa que é lixada de sair, é o cheiro a peixe frito.

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