sábado, 13 de dezembro de 2008
tracy
Bati de cara naqueles coisos de vidro de lado das paragens de autocarro e para safar a situação disse: "Foda-se. Já não consigo atravessar vidro?".
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
fuck christmas, i got the blues
O melhor do Natal era montar a árvore em casa da minha avó. Um pinheiro de verdade. Até ao tecto. Às vezes encurvava a ponta de tão grande que era. E vinha a empregada da minha avó com uma tesoura de cortar o frango, em dois, em quatro, e depois em oito, e um banco de cozinha, inteiro, daqueles de madeira pintados de branco para dar com o tampo da mesa da cozinha em mármore para cortar aquela ponta. A habilidade com que subia àquele banco era extraordinária. Quantas vezes não pensei que ia cair e bater com a cabeça na quina da mesa e abrir-se como uma tampa de uma caixa de jóias de onde saía um pedaço de cérebro em vez duma bailarina que dançaria sobre a mesa ao som da novela do canal 1. Escrito no comando. Para não enganar. Foi uma confusão desde que apareceram quatro canais. Depois vinte. No fim, cem. Escorregando até à ponta onde ninguém jantava porque ficava de costas para a televisão. E onde a cadeira chiava. A da minha avó tinha um penso por baixo. Para ela saber que era a dela e a única que não chiava. Ai de nós que nos baloiçássemos nela. O vaso de cimento pintado de branco e vermelho, baços, era enchido de areia. Enquanto segurávamos a árvore para a manter de pé. Como aquelas pessoas que desmaiam para a camâra de televisão quando estão à espera do corpo do filho pescador que desapareceu na traineira e que depois deu à costa sem antes bater várias vezes com a cara num rochedo e esta parecer pasta de atum sem a parte da embalagem com a coisinha de puxar que servem em quase todos os restaurantes que não prestam. Guardada de um ano para o outro. Num saco cinzento como as traseiras e a vida dessas traseiras do prédio da minha avó. Metido numa arrecadação no cimo do prédio. Um terraço. Que dava para a rua. Onde se podia cuspir para os chapéus das senhoras que iam ao Monumental. O antigo. Em madeira, a arrecadação. Com uma porta que abria com uma chave comprida e enferrujada que só a minha avó sabia onde estava. Fechava-se no quarto quando era para ir buscar a chave e nós esperávamos no corredor. Escutando. Mas nunca percebemos onde estava a chave. Apostámos em gavetas. Colada por trás do móvel. Na mala azul debaixo da cama. A árvore era metida entre o móvel dos cristais que não eram usados (para não estragar) e o outro móvel que tinha copos de vinho que quando se deitava lá para dentro ia até ao fundo do pé. O pinheiro comprado na Morais Soares ou em Sapadores. Nunca sei. Que vendia árvores quando era Natal e que não cabiam dentro da loja por isso estavam na rua. Atadas com uma corda para ninguém roubar. Ao molho, como o alecrim. Mas ninguém chorava. Não imagino como. No bolso ficaria de fora e correr com uma coisa daquele tamanho, de arrasto, não dava grande vantagem. E até nem é desporto olímpico. A minha avó perguntava sempre se não dava para fazer um jeitinho. Que me lembre, de todas as vezes que perguntou se não dava para fazer um jeitinho, disseram-lhe que não. Mas nunca desistia e, ano após ano, tentava-o em vão. Fazia o mesmo com os brinquedos. Mas isso era na Baixa. Em lojas escuras onde nenhum brinquedo parecia o máximo. E eram todos o mínimo. Brinquedos que nunca vi em anúncios de televisão com crianças que pareciam divertidas a brincar com ele. Eram os brinquedos de há dez anos. Ninguém pegou. Não os vendeu e ali estavam. À espera da minha avó. Mesmo com luzes. Enormes. Metalizados. Em caixas de papelão fino com esferovite. Nunca eram bons brinquedos. Mas eram sempre grandes. Os maiores. Porque acho que ela gostava mesmo de nós. Como não o mostrava, comprava sempre os maiores brinquedos. Era a maneira dela. Tinha sempre um fio a mais. Uma porta que não abria. Um olho vazado. Mas eram os maiores. Era sempre a última a meter os presentes em frente da árvore. E os outros pareciam minúsculos ao pé. Era ela a dizer “eu gosto mais de ti do que todas as outras pessoas”. Em minha casa era de arame. A árvore. Branca como se tivesse nevado. E pequena como uma criança que não tomou as hormonas de crescimento porque os pais achavam que isso ia fazer com que tivesse barba aos 6 anos e então alimentavam-na com muita sopa de couve lombarda e massagens nas pernas antes de deitar. Os enfeites parcos. Uma estrela em cima. Duas fitas douradas. Duas azuladas e algumas bolas e estrelas. Em casa da minha avó eram caixas e caixas. Caixas de chapéus altas e lustrosas fechadas com um cordel de bolo-rei. Agrupadas por ordem. Bolas com bolas. Estrelas com estrelas. Fitas, algumas já esfodilhaçadas, com fitas, ainda não muito esfodilhaçadas, com fitas, quase nada esfodilhaçadas. As luzes nunca funcionavam muito bem porque a minha avó não era de gastar dinheiro. Enquanto se abriam as outras caixas, eu mudava as lâmpadas de fio em fio a ver se metia uma fila delas a funcionar. Às vezes conseguia e a minha avó dizia que parecia o meu avô (eu, não ela) por causa da persistência. Ele também não parava até conseguir. Era tudo feito por ordem. Primeiro punha-se as luzes que era para os fios não se ficarem a ver. Uma de cada vez. De baixo para cima. A rodar ao contrário dos ponteiros do relógio. Das que funcionavam. As outras eram cuidadosamente guardadas nas mesmas caixas porque podia ser que servissem para o ano. Ou então para fazer rissóis de camarão. Porque nunca se sabe o dia de amanhã. Depois havia o presépio. E o rei-mago preto. Que punhamos sempre deitado ao fundo do curral. Onde, dizíamos, era o sítio em que o burro cagava. Em esguicho. Contra a parede. Para vedar e impedir o vento de entrar. Se fosse real. E a minha avó, crédula, acreditava que se deixássemos cair o menino Jesus, Deus saíria do Céu, de propósito, com um tridente na mão para nos enfiar no ouvido. A bosta de burro, além de aquecer os pés, é também um bom isolante. E depois uma luz. A da ponta que vinha assim da árvore. Colada à parede com fita-cola e ficava na frente. Para fazer daquela estrelinha que tinha iluminado a cena. E também para aquilo ter alguma luz.
Os brinquedos que me deu desapareceram. De todos, sobra um camião dos bombeiros que tem um fio e um comando. Era giro mas tem um fio. E é preciso andar atrás dele. Eu queria mesmo um carro telecomandado. Para ficar no sofá a vê-lo andar em volta da mesa. Onde eu andava a pisar só os quadrados verdes do tapete que nunca viu um aspirador. Antes de morrer ofereceu-me um carro, a sério. Pediu-me que não tirasse a carta a uma sexta-feira. E que tivesse cuidado porque nunca se perdoaria se me acontecesse alguma coisa. O tapete continua na sala. O copo do Sporting que eu lhe pedi também. Debaixo de uma gaveta que moía a madeira por onde corria e caía em cima do copo que eu virava ao contrário e batia para tirar a madeira. Hábito que ainda tenho. Com qualquer copo, em qualquer sítio. Já não em casa da minha avó que está fechada. Ninguém sabe muito bem o que fazer àquelas coisas. Estão lá fechadas. E esperamos que fiquem lá. É como as coisas que fechamos dentro de nós porque não queremos que saiam e não as queremos deitar todas fora. Na esperança de serem úteis depois. Em mim as coisas morrem. O Natal não é nada. Já não há avós nem netos. Só um jantar na sala em vez de ser na cozinha. O serviço é o bom. Em ouro. Os pratos escuros. Com uma tira ainda mais escura. Em torno. A 5 de Dezembro quero que seja 26. A 27 quero que seja 6 de Janeiro. E depois falta o tempo máximo para ser Natal outra vez. E como o ano mudou eu penso sempre que é desta que as coisas vão correr bem.
Os brinquedos que me deu desapareceram. De todos, sobra um camião dos bombeiros que tem um fio e um comando. Era giro mas tem um fio. E é preciso andar atrás dele. Eu queria mesmo um carro telecomandado. Para ficar no sofá a vê-lo andar em volta da mesa. Onde eu andava a pisar só os quadrados verdes do tapete que nunca viu um aspirador. Antes de morrer ofereceu-me um carro, a sério. Pediu-me que não tirasse a carta a uma sexta-feira. E que tivesse cuidado porque nunca se perdoaria se me acontecesse alguma coisa. O tapete continua na sala. O copo do Sporting que eu lhe pedi também. Debaixo de uma gaveta que moía a madeira por onde corria e caía em cima do copo que eu virava ao contrário e batia para tirar a madeira. Hábito que ainda tenho. Com qualquer copo, em qualquer sítio. Já não em casa da minha avó que está fechada. Ninguém sabe muito bem o que fazer àquelas coisas. Estão lá fechadas. E esperamos que fiquem lá. É como as coisas que fechamos dentro de nós porque não queremos que saiam e não as queremos deitar todas fora. Na esperança de serem úteis depois. Em mim as coisas morrem. O Natal não é nada. Já não há avós nem netos. Só um jantar na sala em vez de ser na cozinha. O serviço é o bom. Em ouro. Os pratos escuros. Com uma tira ainda mais escura. Em torno. A 5 de Dezembro quero que seja 26. A 27 quero que seja 6 de Janeiro. E depois falta o tempo máximo para ser Natal outra vez. E como o ano mudou eu penso sempre que é desta que as coisas vão correr bem.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
that i can't find my way back anymore
Ela: "Tu nem sabes o que as miúdas querem."
Eu: "Posso não saber o que as miúdas querem mas sei o que não querem."
Ela: "O quê?"
Eu: "Eu."
Eu: "Posso não saber o que as miúdas querem mas sei o que não querem."
Ela: "O quê?"
Eu: "Eu."
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
bangkok shocks, saigon shakes, hanoi rocks
nuninho do hi5 says:
5ª vou ter com uma amiga nova
nuninho do hi5 says:
ela faz anos
nuninho do hi5 says:
convidou-me para ir fumar umas com ela para casa dela
nuninho do hi5 says:
depois das aulas
sleepwalking through the mekong says:
tu és tipo a versão masculina da gaja que fode com todos
nuninho do hi5 says:
ver se meto aquela cena que faz as gajas submissas na ganza
sleepwalking through the mekong says:
sucesso?
sleepwalking through the mekong says:
AHAHHA
nuninho do hi5 says:
HAHAHA
nuninho do hi5 says:
mas esta é gira
nuninho do hi5 says:
e boa
nuninho do hi5 says:
ando há bué tempo
nuninho do hi5 says:
a tentar coiso
sleepwalking through the mekong says:
posso postar isto?
sleepwalking through the mekong says:
ou depois ela vê e coiso?
sleepwalking through the mekong says:
se calhar é melhor só amanhã
sleepwalking through the mekong says:
depois de não foderes
nuninho do hi5 says:
é 5ª
nuninho do hi5 says:
e... duvido que ela leia o teu blog
5ª vou ter com uma amiga nova
nuninho do hi5 says:
ela faz anos
nuninho do hi5 says:
convidou-me para ir fumar umas com ela para casa dela
nuninho do hi5 says:
depois das aulas
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tu és tipo a versão masculina da gaja que fode com todos
nuninho do hi5 says:
ver se meto aquela cena que faz as gajas submissas na ganza
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sucesso?
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AHAHHA
nuninho do hi5 says:
HAHAHA
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mas esta é gira
nuninho do hi5 says:
e boa
nuninho do hi5 says:
ando há bué tempo
nuninho do hi5 says:
a tentar coiso
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posso postar isto?
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ou depois ela vê e coiso?
sleepwalking through the mekong says:
se calhar é melhor só amanhã
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depois de não foderes
nuninho do hi5 says:
é 5ª
nuninho do hi5 says:
e... duvido que ela leia o teu blog
yeah right, bitch
Ela: "Um dia hei-de encontrar um homem que não goste de jogar Playstation 3".
Eu: "Tenta procurar no clube dos homens que não vêem pornografia e que não se masturbam".
Eu: "Tenta procurar no clube dos homens que não vêem pornografia e que não se masturbam".
domingo, 7 de dezembro de 2008
to do
A única luz que me favorece é a escuridão total.
sábado, 6 de dezembro de 2008
shore
Sinto-me tão sozinho desde que as vozes na minha cabeça pararam.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
p.
nuno.melo.cristino: ontem
pela primeira vez
bati uma punheta
antes de me deitar nesta casa:|
André: nunca bati uma em tua casa:|
HAHA
nuno.melo.cristino: HAHAHAHAHA
pá:|
outra cena:|
tu andas a receber bem, não andas?:|
André: kind of
pq?
nuno.melo.cristino: porque o natal está à porta
e eu preciso d1 LCD:|
André: :|
nuno.melo.cristino: tá bem?:|
André: claro:|
é tudo a fingir
eu durmo numa tábua em cima duns tijolos e de noite oiço a telefonia em onda média:|
nuno.melo.cristino: HAHAHAHAHAHA
a worten tem um lcd mais barato
que a pixmania
André: dá-lhe tempo:P
nuno.melo.cristino: a quê?
André: a seguir ao natal
os preços vão cair
nuno.melo.cristino: achas?
não achas que caem para o natal?
André: não sei
mas foi uma boa frase, não foi?:|
nuno.melo.cristino: HAHAHA
André: ficaste a pensar que eu percebia mesmo de negócios e isso, não ficaste?
nuno.melo.cristino: iá
pela primeira vez
bati uma punheta
antes de me deitar nesta casa:|
André: nunca bati uma em tua casa:|
HAHA
nuno.melo.cristino: HAHAHAHAHA
pá:|
outra cena:|
tu andas a receber bem, não andas?:|
André: kind of
pq?
nuno.melo.cristino: porque o natal está à porta
e eu preciso d1 LCD:|
André: :|
nuno.melo.cristino: tá bem?:|
André: claro:|
é tudo a fingir
eu durmo numa tábua em cima duns tijolos e de noite oiço a telefonia em onda média:|
nuno.melo.cristino: HAHAHAHAHAHA
a worten tem um lcd mais barato
que a pixmania
André: dá-lhe tempo:P
nuno.melo.cristino: a quê?
André: a seguir ao natal
os preços vão cair
nuno.melo.cristino: achas?
não achas que caem para o natal?
André: não sei
mas foi uma boa frase, não foi?:|
nuno.melo.cristino: HAHAHA
André: ficaste a pensar que eu percebia mesmo de negócios e isso, não ficaste?
nuno.melo.cristino: iá
the beginning
Continuo com a folha em branco. Folha que não é folha. Que não deito fora. Ali no saco onde meto os jornais que li. Junto aos anúncios do Veiga que vende casas ou da Fátima que é santa e viu a luz. Talvez morasse perto do Colombo e não tivesse muito que fazer. Então passava os dias à janela. Depois de passar a ferro e ter ido à praça comprar peixe e coentros para o jantar. Que comia mais a mãe que já não tinha dentes nem memórias. Os dentes perdidos pelo recuo das gengivas inflamadas como um rabo comido sem lubrificante e as memórias presas entre um coágulo e uma veia dilatada. Onde estava guardada a infância e as histórias que repetia no jantar de Natal como se fosse a primeira vez. Agora não dizia nada. Molhava o pão duro na canja que mastigava com os dentes que já não tinha. Comia sempre canja. Porque nunca se lembrava da última refeição. “A velha assim sai barata”. O filho estava longe. No estrangeiro. Onde se ganha a sério que isto cá não é vida para ninguém. Eu, um dia, também me mando daqui para fora e vou ver a América. Ou então o Américo que é primo dos meus pais e mora ali a seguir a Canal Caveira. E foi a primeira pessoa que me ensinou a usar uma pá como deve de ser. Passámos o Verão a fazer buracos no chão onde enterrávamos caroços de pêssegos a ver se nasciam árvores. Mas nada. Só me nasceram calos nas mãos. E bolhas nos pés de usar as botas de borracha para andar na lama. Também não voa se deixar a janela aberta. Bascula, não abre. A janela, não o papel. Se abrir vem para cá e bate-me na cara. A janela, não o papel. Tenho uma espécie de fobia a janelas de alumínio que se abrem sozinhas e depois eu estou agachado a apanhar qualquer coisa e quando me levanto abro a cabeça ao meio, como melancia num piquenique. É por isso que não tenho amigos. Nunca faço dessas coisas que põem a integridade em risco. O único amigo que tinha disse-me que não era eu, era ele. Foi comprar cigarros. Nunca mais voltou. Quero acreditar que gostasse duma marca única. Que estava esgotada. E que era preciso ir à fábrica que fica na Tailândia entre dois rochedos onde só se acede por uma ponte de corda. Onde trabalham pigmeus alimentados a caldo de nabiças. E com uma tanga castanha de pele de cordeiro. Onde secam o tabaco ao sol. E o enrolam à mão com o amor de um pedófilo que acaricia o pénis minúsculo de uma criança. Foi há quatro anos. Se calhar foi a pé. Era um tipo que gostava de andar. E fazia-o sempre que me aproximava dele. Sei que um dia voltará. E vai-me dizer “afinal não era eu, eras tu” e dá-me um abraço sentido e vamos os dois fazer coisas de homens. Jogar bowling e mandar bocas às miúdas de carro enquanto apitamos com a janela aberta e gritamos “ó boa, ó boa, senta aqui no mastro do pai”. Rimos e vamos comer um cachorro ao fim do dia. Ali às roulottes do Campo das Cebolas. Combinamos no dia seguinte ir atirar umas bolas de baseball um ao outro para um jardim espaçoso. O cursor pisca como um olho do cu que se contrai para tirar aquele último bocado que deixa sempre mal-estar. Levanto-me. Dou voltas no quarto. Ou acho que dou. Posso só estar aqui sentado, a ver pornografia com uma mão no rato e outra na micro-pila e precisar de completar isto assim com um recurso mais de quem pensa realmente no que escreve. A última correspondente que tive dizia-me que a minha caneta azul tinha coisas muito bonitas dentro. Eu espreitava e via apenas uma bolinha de metal que se enchia de tinta quando rodava. Abri-a com uma faca (à caneta, não à minha correspondente) e era tinta. Azul. Que me encheu os dedos e a cara. Quando lhe toquei. E depois só um dedo que pintei todo para apontar só para coisas azuis. Com obrigatoriedade. O que me valeu é que estava nublado. Estava também frescote. Por isso levei o meu kispo novo. Que não condizia com o dedo mas era giro que se fartava. Não sei como fazia aquilo. Entrava em automático e era não pensar muito. E usava muitas reticências. Há miúdas que ficam doidas com reticências. O ponto final parece de quem tem as ideias muito mais acertadas. É quase eu hoje. Com tantos pontos finais e nem uma ideia na cabeça. Tento falar do petróleo. Das OPAs. Do Jardim Gonçalves. Mas o meu conhecimento não vai além do jardim do Gonçalves que era vizinho da minha avó e morava no rés-do-chão. Que dava para as traseiras daquelas antigas. Com escadas de metal e telheiros às ondas onde havia um jardim com alfaces regadas com água e ar cheio de chumbo e mercúrio das camionetas que passavam na rua que lhe deu cabo da próstata que ficou do tamanho duma bola de ténis e um dia rebentou na cara da mulher quando lhe fazia um botão de rosa. Depois deixou de me escrever (a minha correspondente, não o Gonçalves). Acho que esteve na Finlândia. E depois voltou para Alcácer do Sal. Ou outra terra por onde se passava quando se ia para o Algarve antes de haver auto-estrada. Sou eu que vejo o correio. Todos os dias quando saio de casa e à noite, quando volto. Cansado do meu trabalho de carimbar circulares e assinar despachos que não despacham nada e só entopem o sistema como uma trombose dum avô num parque infantil enquanto toma conta do neto com um sorriso de saudade de quando era novo. E, de repente, está tudo escuro. A cara na areia. Um fio de baba que empasta e forma uma espécie de massa. Os ténis desapertados do neto à altura dos seus olhos. “O que se passa, avô?”. Nada. Já não se passa nada. Apanhou o autocarro que já não volta. E o passe tem duração eterna. Acho que não me vai escrever mais. Um dia partilhámos uma garrafa de whisky na estação do Oriente. Acho que foi isso. Ou não gostou de mim, ou o whisky era mau. Continuei a comprá-lo e sempre que posso, ofereço. Quem conhece o meu quarto sabe que isso não é possível. É mais assim uma ida e volta em U com um perna menor que a outra. Como o meu tio que era pescador e andava sempre com uma Bíblia debaixo do braço para ficar alinhado com as outras pessoas quando houvesse necessidade. Homem prevenido vale por dois. E o meu tio valia por um. Comia por dois. Teve um AVC por três. Quando tinha a mulher de quatro. Às 5 da tarde. Já nem seis muito bem a fazer o quê. Puxo o prepúcio para fora. Depois para trás. E abano o ar em direcção ao nariz. A ver se cheira. Cheira. Apago tudo. Começo de novo. Era uma vez. Olho para o copo do whisky e ele finge que não é nada como ele. Olho assim de soslaio. E ele desvia o olhar de soslaio. Agarro-o de repente e digo: “então, man?”. E ele: “então o quê?”. E eu: “então mas 'tás a olhar para onde?”. E ele: “então mas não se pode?”. E eu: “pode-se”. E decido bebê-lo. Os copos não falam. Mas o whisky faz mover a mobília. Ando para cima. Já vai longo. Volto aqui. Prometi que amanhã chegava a horas. Quando se chega a horas, pode-se sair mais cedo. E ir para os copos mais cedo. Com os amigos mais cedo. Tenho de tirar o Mário da caixa de sapatos. Meti-lhe uma corda. O meu terapeuta insistiu. “Porque não tenta arranjar amigos que não vivam em caixas de sapatos?”. “Eu tento, Sr. Dr.”. A sério que tento. Todos os dias tento ser simpático com o próximo. Mas os próximos estão sempre longe. E têm sempre alguma coisa para fazer onde eu não estou incluído.
true love leaves no traces
"Quatro noites com Anna", dois socos no estômago e um roundhouse kick na cara. É uma pena já não escrever sobre cinema. Eu, não o filme.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
storm
filipa: então, ja mudaste pra tua casa?
André: sim:)
há duas semanas
filipa: ena :D
e já aprendeste a cozinhar e assim?
André: sim
fiz ontem sopa e tudo:|
e ficou fixe
filipa: sopa de quê?
André: de tomate
foi só abrir o pacote:|
AHAH
tou a brincar
fiz mesmo com tomates a sério
tipo os meus mas em grande:|
vou meter isto no blog:|
filipa: AHAHAH
tipo os teus mas em grande?
é possível haver maiores que os teus?
pensava que os teus estavam cheios
:|
tipo, a rebentar.
André: e estão
mas são muito pequeninos
tipo passas secas
muito secas
filipa: AHAH
então são enrugados?
eww
André: sim
mas é um enrugado bonito
André: sim:)
há duas semanas
filipa: ena :D
e já aprendeste a cozinhar e assim?
André: sim
fiz ontem sopa e tudo:|
e ficou fixe
filipa: sopa de quê?
André: de tomate
foi só abrir o pacote:|
AHAH
tou a brincar
fiz mesmo com tomates a sério
tipo os meus mas em grande:|
vou meter isto no blog:|
filipa: AHAHAH
tipo os teus mas em grande?
é possível haver maiores que os teus?
pensava que os teus estavam cheios
:|
tipo, a rebentar.
André: e estão
mas são muito pequeninos
tipo passas secas
muito secas
filipa: AHAH
então são enrugados?
eww
André: sim
mas é um enrugado bonito
ax2+bx+c
A minha vida é uma parábola de concavidade para cima e apenas o braço descendente.
no fx
Há uma miúda do meu trabalho que está interessada em mim pelas razões erradas. Não sei quais são as razões dela, mas para estar interessada em mim só podem ser erradas.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
genghis khan
nuno.melo.cristino: http://link_com_foto_de_mongoloide_vestido_de_super_homem_e_com_uma_matraca.jpg
André: é seguro?
nuno.melo.cristino: sim:|
André: nao devias gozar com os mongoloides
nuno.melo.cristino: HAHAAHAHAHA
André: eles não têm culpa de estar metidos entre a russia e a china:|
nuno.melo.cristino: isso dito por ti ainda tem mais piada
que a foto
HAHAHAAAHHA
HAHAHAHAHAHA
AGHAHAHAHAHAA
LOOOOOOOL
EPÁ MORRE!
HAHAHAHA
és mesmo porco:|
André: nunca me verás a gozar com mongoloides
só pelas costas:|
André: é seguro?
nuno.melo.cristino: sim:|
André: nao devias gozar com os mongoloides
nuno.melo.cristino: HAHAAHAHAHA
André: eles não têm culpa de estar metidos entre a russia e a china:|
nuno.melo.cristino: isso dito por ti ainda tem mais piada
que a foto
HAHAHAAAHHA
HAHAHAHAHAHA
AGHAHAHAHAHAA
LOOOOOOOL
EPÁ MORRE!
HAHAHAHA
és mesmo porco:|
André: nunca me verás a gozar com mongoloides
só pelas costas:|
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
b52
Acho que vou aparecer no jantar de Natal da minha empresa com uma caixa de sapatos e digo que é o meu amigo imaginário que vive aos pés da cama. E, de vez em quando, meto-lhe um bocadinho de pão com manteiga para dentro da caixa e faço o barulho *blorgbopblurpbapbop*.
have it your way
nuno.melo.cristino: que é que fazes hj?
André: trabalho:|
nuno.melo.cristino: sim e depois?
André: vou para casa
enrolar-me na cama em posição fetal e ter pena de mim
nuno.melo.cristino: HAHAHA
tb já usei essa:|
mas sem o ter pena de mim:|
André: caralho:|
foda-se
és uma farsa
nuno.melo.cristino: iá:|
portanto n deixes de inventar
e n faças copyright:|
André: trabalho:|
nuno.melo.cristino: sim e depois?
André: vou para casa
enrolar-me na cama em posição fetal e ter pena de mim
nuno.melo.cristino: HAHAHA
tb já usei essa:|
mas sem o ter pena de mim:|
André: caralho:|
foda-se
és uma farsa
nuno.melo.cristino: iá:|
portanto n deixes de inventar
e n faças copyright:|
in need
Eu: "Uma gaja só não fode porque não quer. Um gajo tem de esperar que uma gaja se digne a foder com ele."
Ela: "Não é bem assim."
Eu: "Queres foder comigo?"
Ela: "Não."
Eu: "Vês? Só não fodes porque não queres."
Ela: "Não é bem assim."
Eu: "Queres foder comigo?"
Ela: "Não."
Eu: "Vês? Só não fodes porque não queres."
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
better
Fui comprar cuecas e quando a senhora da loja me perguntou "como é o tamanho aí em baixo" eu respondi "é do tamanho do braço duma criança" e acrescentei para dentro "na primeira semana de gestação".
:D
Como não jogo nada futebol, sempre que vou à Bica acabo por ir à Baliza.
when the music's over
Em termos futebolísticos, a minha vida é um falhanço comparável àqueles remates à baliza que saem pela linha lateral.
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